sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Especialidade de Ordem Unida

ORDEM UNIDA

Pr. Ivay – UNB

OBJETIVOS DA ORDEM UNIDA
a)Proporcionar aos desbravadores os meios de se apresentarem e se deslocarem em perfeita ordem em todas as circunstâncias.
b)Desenvolver o sentimento de coesão e os reflexos de obediência que são fatores preponderantes na formação do desbravador.
c)Constituir uma verdadeira escola de disciplina.
d)Permitir. conseqüentemente, que o clube apareça em público, quer nas paradas, quer nos simples deslocamentos do serviço, com aspecto enérgico e marcial.
e)Demonstrar que as atitudes individuais devem subordinar-se à missão do conjunto, a tarefa do grupo.

DISCIPLINA
a)Exercícios que exijam exatidão e coordenação mental e física, ajudam a desenvolver a disciplina. Para desenvolver no desbravador a disciplina é de grande vantagem à prática dos exercícios de Ordem Unida. Estes exercícios criam reflexos de obediência e estimulam os sentimentos de vigor do clube, de tal modo que toda a unidade se impulsiona, conjuntamente,
como se fosse um só homem.
b)A Ordem Unida não tem somente por finalidade fazer com que o clube se apresente em público com aspecto marcial e enérgico, despertando entusiasmo e civismo nos espectadores, mas principalmente a de constituir uma verdadeira escola de disciplina e coesão. A experiência tem revelado que, nas circunstâncias críticas, as tropas que melhor se portaram foram as que sempre se destacaram na Ordem Unida. A Ordem Unida concorre, em resumo, para a formação moral dos desbravadores. Deve ser ministrada com esmero e dedicação, razão pela qual esta instrução deve situar-se com destaque entre as demais.

CHEFIA NA ORDEM UNIDA
Os exercícios de Ordem Unida constituem-se em um dos meios mais eficientes para se alcançar àquilo que em suma, consubstancia o exercício da chefia: a interpretação necessária entre o chefe e os comandados. Além do mais, a Ordem Unida é a forma mais elementar de iniciação do desbravador na prática e da chefia. É comandando na Ordem Unida que se revelam e se desenvolvem as qualidades do chefe. Ao experimentar a sensação de ter um grupo de homens deslocando-se ao seu comando, o principiante na arte da chefia desenvolve a sua autoconfiança ao mesmo tempo em que adquire consciência de sua responsabilidade sobre aqueles que atendem aos seus comandos, observadores mais próximos das aptidões que demonstra. Os exercícios de Ordem Unida despertam no chefe o apreço às ações bem executadas e ao exame dos pormenores. Propiciam-lhe, ainda, o desenvolvimento da sua capacidade de observação e de estimular o clube.

Através da Ordem Unida o clube evidencia claramente os quatro índices de eficiência:

1 MORAL - pela determinação em atender aos comandos malgrados a necessidade de esforço físico.
2. DISCLPLINA - pela presteza e atenção com que obedece aos comandos.
3. ESPIRITO DE UNIDADE - pela boa apresentação coletiva e pela uniformidade na prática de exercícios que exigem execução coletiva.
4.PROFICIENCIA - pela exatidão nas execuções.

DEFINICÕES
Os termos militares têm um sentido preciso em que são exclusivamente empregados. Quer na linguagem corrente, quer nas ordens e partes escritas, dai a necessidade das definições que se seguem:
COLUNA - É a disposição de um grupo, cujos elementos estão um atrás do outro. Quaisquer que sejam suas formações e distâncias.
COLUNA POR UM - É a formação de um grupo em que os elementos (frações homens) são colocados um atrás do outro.
Seguidamente, guardando entre si a distância regulamentar conforme o número dessas colunas justapostas, tem-se as formações de coluna por 2. por 3. etc.
DISTÂNCIA - É o espaço entre dois elementos (frações, homens) colocados um atrás do outro e voltados para a mesma frente. Entre duas unidades, a distância se mede em metros ou em passos contados do último elemento do clube da frente ao primeiro da imediata. Esta regra continua a aplicar-se, ainda que a unidade da frente se escalone em frações sucessivas. Entre
dois homens a pé a distância de 80 cm é o espaço compreendido entre ambos mia posição de sentido, medido pelo braço esquerdo distendido palitas dos dedos tocando o ombro (mochila) do companheiro da frente.
FILEIRA - E a formação em que os homens estão colocados na mesma linha, um ao lado do outro, tendo todos a frente voltada para o mesmo ponto afastado.
LINHA - É a disposição de um grupo cujos elementos (frações, homens) estão dispostos um ao lado do outro.
FILA - É a disposição de um grupo de homens colocados um atrás do outro, pertencentes a um clube formado em linha em mais de uma fileira. O primeiro homem de cada fila, chama-se chefe de fila. A fila se diz “quebrada’, quando, em relação às outras do mesmo clube, lhe falta um ou mais homens.
INTERVALO - É o espaço entre dois homens colocados na mesma fileira, ou entre dois clubes vizinhos e contado em passos ou em metros, paralelamente à frente. Entre duas unidades situadas à mesma altura, mede-se o intervalo do homem da esquerda da fração da direita ao homem da direita da fração da esquerda. Entre dois homens, o intervalo pode ser normal ou reduzido. Normal (80 cm) quando o espaço entre eles é medido pelo braço esquerdo distendido horizontalmente e lateralmente, tocando o ombro do companheiro. Reduzido (25 cm) quando o desbravador coloca o punho esquerdo fechado, na cintura, costas da mão para a esquerda, tocando com este o braço do companheiro ao lado.
ALINHAMENTO - E a disposição de vários homens ou unidades colocados um ao lado do outro sobre uma linha reta, frente voltada para a mesma direção.
COBERTURA - É a disposição de vários homens ou unidades, todos com a frente voltada para a mesma direção de modo que um elemento fique exatamente atrás do outro.
CERRA - FILA - É o graduado colocado à retaguarda de uma tropa, com a missão de cuidar da correção da marcha e dos movimentos, de exigir que todos se conservem nos respectivos lugares e de zelar pela disciplina.
HOMEM-BASE - É o homem pelo qual uma tropa regula sua marcha, cobertura e alinhamento em coluna, o homem-base é o da testa da coluna-base, que é designada segundo as necessidades. Quando não houver especificações, a coluna-base será a da direita em linha, o homem base é o chefe da fila-base, no centro, à esquerda ou à direita, conforme seja determinado.
UNIDADE-BASE - É aquela pela qual as demais unidades regulam a marcha ou alinhamento, por intermédio de seus comandantes ou de seus homens-base.
CENTRO - É o lugar representado pelo homem, fila ou coluna, situado na parte média da frente de uma das formações de Ordem Unida.
DIREITA (ou esquerda) - E a extremidade direita (esquerda) de um grupo.
FORMAÇÃO - É a disposição regular dos elementos de um grupo em linha ou em coluna. A formação pode ser normal ou em massa. Normal, quando a tropa está formada conservando as distâncias e os intervalos normais dentre os homens ou frações. Formação emassada é aquela em que uma tropa de valor companhia, ou superior dispõe seus homens em várias colunas independentemente das distâncias normais entre suas frações.
TESTA - É o elemento anterior de uma coluna.
CAUDA - É o elemento posterior de uma coluna.
PROFUNDIDADE - É o espaço compreendido entre a testa do primeiro e a cauda do último elemento de qualquer formação.
FRENTE - É o espaço em largura ocupado por um grupo em linha ou coluna. Avalia-se a frente aproximada de um grupo em ordem unida, atribuindo-se um metro e dez centímetros a cada grupo, caso estejam com intervalo normal, e 75 cm se estiverem sem intervalos.
ESCOLA - Grupo de homens tendo em vista o melhor aproveitamento da instrução; seu efetivo, extremamente variável, não depende do previsto para os diferentes elementos orgânicos.

Nota: Todas as medidas devem ser adaptadas de acordo com o tamanho e idade dos desbravadores.

COMANDOS E MEIOS DE COMANDOS
Na Ordem Unida, para transmitir sua vontade ao grupo, o diretor ou instrutor emprega os seguintes meios:
Voz
Gesto
Corneta (clarini)
Apito

VOZES DE COMANDO
Voz de comando é a maneira padronizada, pela qual o diretor/instrutor exprime verbalmente a sua vontade. Quando não for especificadamente determinado em contrário, é ao diretor dos desbravadores que cabe dar os comandos.

Na Ordem Unida, a voz de comando consta geralmente de:

1)VOZ DE ADVERTÊNCIA - como grupo, clube ou desbravadores, etc.
2) COMANDO PROPRIAMENTE DITO - como: DIREITA, que indica o movimento a ser executado.
3) VOZ DE EXECUÇÃO - que determina o início da execução do movimento como:
VOLVER! MARCHE!, etc. A voz constitui-se no meio de comando mais utilizado na Ordem Unida. Deverá ser empregado sempre que possível, pois permite execução simultânea e imediata.
Entre o comando propriamente dito e a voz de execução deverá haver um intervalo que permita a compreensão do movimento e. se for o caso, que os chefes subordinados dêem vozes complementares. A voz de execução será dada no momento exato em que o movimento deva começar ou cessar. O comando propriamente dito deverá ser longo: a voz de execução, curta c enérgica.
A voz de comando deverá ser clara, enérgica e de intensidade proporcional ao efetivo do clube. Uma voz dada com indiferença só pode ter como resultado uma execução displicente.
Para dar uma voz de comando, o diretor/instrutor deverá voltar à frente para o clube. Os comandos serão dados na posição de “Sentido”. Quando enquadrados em formatura ou cerimônia, os diretores/instrutores volvem apenas a cabeça para o clube, ao dar o comando.
DEVERES E QUALIDADES DO INSTRUTOR
Para que os exercícios de Ordem Unida atinjam as suas finalidades o instrutor deverá:
1.Explicar em minúcias cada posição ou movimento, executando-o ao mesmo tempo. Em seguida, determinar a execução pelos desbravadores, sem ajudá-los, somente tocando, para corrigir, aqueles que sejam incapazes de fazê-lo por si mesmos.
2.Evitar conservar os instruendos por muito tempo em uma posição ou na execução de movimentos.
3.Fazer com que aprendam cada movimento antes de passar para o seguinte.
4.Imprimir gradualmente a devida precisão e uniformidade.
5.À medida que a instrução avançar agrupar os desbravadores segundo o grau de adiantamento. Os que mostrarem pouca aptidão ou retardo na execução deverão ficar sob a direção dos melhores instrutores ou monitores.
6.Não ridicularizar nem tratar com aspereza os que se mostrarem deficientes ou revelarem pouca habilidade. O instrutor deverá fiscalizar cuidadosamente a instrução, a fim de assegurar-se que os monitores tratem os desbravadores com a devida consideração.

POSIÇÕES

a) SENTIDO - Nesta posição o desbravador ficará imóvel e em silêncio, com a frente voltada para o ponto indicado. Os calcanhares tão unidos quanto o permita a sua conformação física as pontas dos pés voltadas para fora de modo que formem um ângulo pouco menor que o reto. O corpo levemente inclinado para a frente com o peso distribuído igualmente sobre os calcanhares e as plantas dos pés os joelhos naturalmente distendidos. O busto aprumado, com o peito saliente ombros na mesma altura e um pouco para trás sem esforço. Os braços caídos e ligeiramente curvos, com os cotovelos um pouco para a frente e na mesma altura. As mãos espalmadas, dedos unidos, coladas à parte exterior das coxas, cabeça erguida, o queixo ligeiramente aproximado do pescoço e o olhar fixo para frente. Ao se tomar a posição de “sentido”, os calcanhares serão unidos com energia e vivacidade, de modo a se ouvir esse contato. O desbravador tomará a posição de “Sentido” ao comando: SENTIDO.
b) DESCANSAR - Estando na posição de “Sentido”, ao comando de DESCANSAR, o desbravador levanta o corpo na ponta do pé direito e cai com a planta do pé esquerdo cerca de 30 cm para a esquerda. Simultaneamente a mão esquerda segurará o braço direito pelo pulso, a mão direita fechada colocadas às costas, pouco abaixo da cintura. Nesta posição as pernas ficarão naturalmente distendidas e o peso do corpo igualmente distribuído sobre os pés, que permanecerão num mesmo alinhamento.
Esta é a posição do desbravador ao entrar em forma, onde permanecerá em silêncio e imóvel. Para as mulheres, observar uma abertura menor de pernas.
e) À VONTADE - Este comando deverá ser dado quando os desbravadores estiverem na posição de “Descansar”. Achando-se os desbravadores na posição de “Sentido”, deverá ser dado primeiro o comando dce “Descansar”, e. em seguida, o de À VONTADE”. A este comando o desbravador manterá o seu lugar, de modo a conservar o alinhamento e a cobertura. Poderá mover o corpo, falar e beber. Para cessar a situação de À VONTADE”, basta que o diretor ou instrutor dê unia voz ou sinal de advertência. Os desbravadores então. de modo próprio, tomarão a posição de “DESCANSAR”.
d) EM FORMA - Ao comando: CLUBE (DESBRAVADORES. GRUPO, etc.) FRENTE PARA TAL PONTO. COLUNA
POR UM (DOIS OU TRÊS), ou LINHA EM UMA (DUAS OU TRÊS) FILEIRAS seguido de execução “EM FORMA”, cada desbravador deslocar-se-á rapidamente para o seu lugar, e na posição de “Sentido”, tomará as distâncias e intervalos regulamentares isto feito, tomará a posição de “DESCANSAR”.
e) FORA DE FORMA - MARCHE! - A este comando, os desbravadores deixarão seus lugares com energia e rapidez, batendo fortemente o pé esquerdo no chão como no rompimento.
1’) OLHAR À DIREITA (ESQUERDA) - Os desbravadores deverão ser exercitados na posição de “SENTIDO” ou no
PASSO ORDINÁRIO”, a volver a cabeça para a direita (esquerda). A voz de execução girarão a cabeça energicamente para o lado indicado, sem desviar a linha dos ombros e sem modificar a posição. Voltarão a cabeça à posição normal, ao comando: OLHAR. FRENTE! Na continência a pé firme, cada desbravador girará a cabeça para o lado indicado, olhará francamente a autoridade que se aproxima e. na proporção que esta se deslocar, acompanha-la-á com a vista, voltando naturalmente a cabeça, até que ela tenha atingido o último desbravador da esquerda (direita). Ao comando de OLHAR
FRENTE! volverá energicamente a cabeça para a frente primitiva.

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